Cotidiano

COVID-19 pode fazer até 478 mil vítimas no Brasil

Uma pesquisa publicada neste domingo (15) por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, calculou e comparou as prováveis mortes pelo novo vírus no Brasil e na Nigéria. No Brasil, de acordo com a projeção, deve haver até 478 mil mortes. Porém, esse número se trata de um preprint, ou seja, um estudo que ainda não foi revisado por outros pesquisadores, nem validado por uma publicação científica. Tais projeções são feitas a fim de acelerar a circulação de informações de interesse público em emergências, como a que acontece atualmente.

Por se tratar de um estudo preliminar, ele deverá ser discutido pela comunidade científica nos próximos dias, sendo provável que os autores façam correções na sua versão final. Por esse motivo, tenha cuidado ao interpretar a matéria e os números nela contidos.

Projeção

O estudo foi feito da seguinte maneira: os pesquisadores analisaram a proporção entre jovens e idosos da população de alguns países. O novo vírus é, muitas vezes, fatal para a população mais idosa. Para entender o padrão de mortalidade da doença, os pesquisadores analisaram dados da Itália, onde 4.034 pessoas já morreram (até o momento da matéria), e da Coreia do Sul, que, apesar de ser a quarta nação mais afetada do mundo, com mais de 8.200 casos, teve apenas 75 mortes.

Os dois países possuem número absoluto de população parecidos, mas diferente em estrutura demográfica: a Coreia do Sul tem mais jovens, e a Itália, mais velhos. Após essa análise, os padrões de letalidade da doença foram estudados e os cientistas projetaram seus efeitos nos países que ainda não chegaram ao pico dramático da pandemia, como é o caso do Brasil.

No Brasil

No Brasil, cerca de 2% da população têm mais de 80 anos. Embora qualquer pessoa a partir de 60 anos já seja considerada vulnerável, é esse o grupo que corre maior risco de vida com a Covid-19, doença provocada pela nova variedade do vírus. Após analisar a taxa de mortalidade da doença em diferentes idades e fazer as projeções para a população dos países, os cientistas chegaram ao impressionante cenário de possíveis 478.629 mortos no Brasil. Tal projeção é maior do que a da Nigéria, que tem uma população mais jovem.

A pesquisa também pontuou que 40% da população de cada país será infectada pelo novo vírus. Tal porcentagem é baseada em outro estudo, da Universidade de Harvard, nos EUA, que afirma que a proporção de contaminados em escala global será de 40% a 70%.

Apenas uma projeção

Uma das autoras da projeção, Jennifer Dowd, pontuou que “hipóteses podem ser ajustadas, mas a forte relação entre a estrutura demográfica de uma população e o número de mortes se mantém”. Ela ainda afirmou que “isso deve afetar a intensidade necessária das medidas tomadas em uma população para reduzir o número de casos mais críticos e a sobrecarga do sistema de saúde”.

O que fazer?

Segundo esta pesquisa de projeção de Oxford, evitar o contato com outras pessoas e colocar em prática medidas para retardar a transmissão – como ficar em casa, lavar sempre as mãos – são maneiras eficazes de frear o contágio rápido. O rápido aumento de casos graves simultâneos sobrecarrega o sistema de saúde e faz com que parte dos pacientes graves fique sem atendimento. Por isso, ao ter sintomas leves, se isole e fique em quarentena até desaparecerem os sintomas.

Ainda, os cientistas dizem que, as medidas tomadas pelos países terão de ser mais drásticas se estes tiverem maior quantidade de idosos na população. Ao mesmo tempo, é preciso levar em consideração o impacto dessas medidas sobre a população mais sensível ao vírus. Exemplo disso é o fechamento indiscriminado de escolas, o que pode colocar crianças – um grupo com alto índice de transmissão, mas pouco perigo de mortalidade – em contato próximo com os avós, o grupo em maior risco.

Isabela Costa

Isabela Costa

Sou Isabela Costa, editora de conteúdo no Pausa do Café. Escrevo sobre cinema, culinária, saúde, entretenimento e viagens, sempre com o objetivo de transformar temas variados em informações acessíveis e interessantes. Com formação em Jornalismo e mais de 8 anos de experiência em conteúdo digital, adoro explorar curiosidades e oferecer dicas úteis para o dia a dia. Meu objetivo é proporcionar aos leitores uma leitura leve e divertida, ao mesmo tempo que trago conteúdo relevante e confiável.