O veganismo está cada dia mais evidente nas mídias sociais e ganha cada vez mais adeptos. Veja aqui e se o mundo todo virasse vegano do dia para a noite?
O veganismo está cada dia mais evidente nas mídias sociais e ganha cada vez mais adeptos. Mas se formos comparar, ainda há muito mais pessoas não veganas do que veganas. O alimento de origem animal é muito rico em diversos nutrientes, especialmente proteínas. O Brasil está nas primeiras posições quando se trata de produção de alimento animal e exportação. Como seriam as consequências se todo mundo parasse de comer proteína animal do dia para a noite? Veja aqui e se o mundo todo virasse vegano do dia para a noite?
Talvez alguém com o coração mais mole tenha imaginado as vaquinhas livres e felizes. Mas não. No Brasil há mais gado do que gente: 213 milhões de cabeças, contra 209 milhões de humanos. O Brasil é o maior produtor de carne bovina do mundo, o segundo maior de frango, e o quarto maior de porco. Numa mudança súbita para o veganismo, o Brasil perderia quase 9% de seu PIB.
Os terrenos usados como pasto teriam que ganhar outra função, e esses 213 milhões de bovinos virariam animais “sem teto” (sem pasto, na verdade). O ambiente selvagem não ajudaria as espécies invasoras, as vacas, porcos e cabras, e eles não teriam como se adequar ao ecossistema. Na busca pela sobrevivência, bovinos e suínos invadiriam plantações e áreas urbanas.
Simples: os animais teriam de ser sacrificados. E o problema aí é o que fazer com toda essa biomassa: atualmente a humanidade é responsável por 1 bilhão de bovinos, 780 milhões de porcos, 23 bilhões de frangos, 1,2 bilhão de ovelhas e 1 bilhão de cabras. Gado bovino pesa em média 500 kg no abate; frangos, 2,5 kg, ovelhas, 60 kg, cabras, 30 kg. Em todos os casos, os números variam imensamente de acordo com a raça, mas, pegando esses números, temos uma biomassa de 675 milhões de toneladas. Enterrar tudo isso seria equivalente a enterrar toda a humanidade ao mesmo tempo.
Nem tudo são notícias ruins. O Painel Internacional para Mudança Climática (IPCC) calcula que a humanidade deixaria de emitir 7 bilhões de toneladas de gases do efeito estufa se todos se convertessem ao veganismo. Isso equivale a 14,3% de todas as emissões desses gases. Segundo a organização, seria o equivalente a substituir todas as termelétricas do planeta por usinas de energia solar!
Mais um problema seria para as pessoas. Sem proteína animal, não seria possível atender às necessidades nutricionais de todos os habitantes do planeta, sejam eles ricos ou pobres, com uma produção alimentar 100% vegetal. Não há fonte de proteína mais eficiente do que os alimentos de origem animal, a qual é a responsável pela diminuição da desnutrição na África Subsaariana. Além disso, a vitamina B12 e o Ômega 3, dois nutrientes importantes, não ocorrem em plantas. Ferro, cálcio e, dependendo da exposição solar, vitamina D também podem precisar de atenção, já que o fornecimento desses nutrientes não é o forte das plantas.
Entretanto, uma transição ao veganismo é possível, mas precisaria ser feita de forma gradual. As regiões mais pobres precisariam, de algum jeito, garantir o acesso a uma variedade de vegetais e suplementos, os quais eles já não possuem hoje. Talvez outro salto crucial para o fim das criações de animais seja o desenvolvimento da carne de laboratório – algo ainda incipiente.
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