Cotidiano

40 anos de prisão injusta

Charles Ray Finch tinha apenas 38 anos quando foi preso por um crime que não cometeu. Confira aqui a história:

O caso de Charles Ray Finch

Fevereiro de 1976, às 9h da noite, Richard Holloman foi assassinado em uma tentativa frustrada de assalto a seu posto de gasolina no estado da Carolina do Norte, Estados Unidos. As luzes já estavam apagadas quando três homens armados entraram no estabelecimento para comprar um remédio e abordarem Richard.

Durante o assalto, um funcionário que estava de costas para os assaltantes ouviu um tiro e se escondeu debaixo do balcão da loja de conveniências. Lester Jones, mais tarde, contatou a polícia e um caso foi aberto.

Segundo a descrição de Jones, três homens negros entraram no posto de gasolina. Um usava um casaco comprido, e havia sido ele quem teria atirado em Richard com uma espingarda. Com esses dados em mãos, a polícia iniciou uma busca pelos suspeitos na região.

O encarregado pelo caso foi o xerife Owens, que conduziria as buscas na região rural, onde o posto estava localizado. Devido a uma testemunha anônima, um homem que havia sido visto próximo ao posto de gasolina era Charles Ray Finch, de 38 anos, que já havia sido levado preso poucos meses antes por roubo em um mercado, porém provado ser inocente.

Encontrando o carro de Charles, o xerife Owens solicitou uma vistoria. O cidadão, que dirigia um Cadillac azul, concordou, sem saber que o que tinha guardado poderia incriminá-lo.

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Dentro do carro haviam cartuchos de espingarda. Iss foi o suficiente para que Owens levasse Charles para a delegacia, onde fora colocado em linha com outros suspeitos para que a testemunha, Lester, pudesse reconhecê-lo. O maior detalhe foi o que a polícia fez neste processo de reconhecimento.

Como Owens tinha a suspeita de que Charles estava envolvido, separou um casaco comprido para apenas ele vestir durante o processo de reconhecimento da testemunha. Lester, que havia dito que o assassino vestia um casaco igual ao que deram a Charles, obviamente confirmou que ele era quem tinha matado o seu chefe. Em todas as filas de suspeitos que aparecia, Charles era sempre o escolhido.

Por conta disso, Charles foi levado a julgamento. Todas as provas de que ele havia cometido o crime foram baseadas em falsidades. Lester Jones havia sido influenciado por conta de imagens e do casaco comprido que fora colocado em Charles para dar seu testemunho, uma vez que tinha problemas de memória e alcoolismo. Entretanto, o júri procedeu de acordo com o que ele falava.

Tudo estava dando errado para Charles: seus amigos já haviam testemunhado que estavam jogando pôquer com ele durante a hora do crime – e isto não foi considerado pela justiça, a autópsia de Richard havia sido registrada de maneira errônea e não houve qualquer análise relativa à identidade da bala que o matou e a bala encontrada no carro de Charles. Assim, o veredito estava pronto.

A sentença de Charles Ray Finch fora de pena de morte – o que era geralmente decidido na época para o crime em questão na Carolina do Norte. Poucos dias depois, os Estados Unidos baniu esse tipo de sentença no estado e Charles acabou pegando prisão perpétua por um crime que não havia cometido. Assim começou a luta pela sua liberdade.

Em 1979, Charles escreveu uma carta ao novo xerife da região de Wilson revelando que seu caso havia sido forjado para tirar da mídia a atenção sobre a corrupção policial que acontecia no estado. Um caso foi aberto para investigação, mas se encerrou apenas três meses depois. Charles não ficou satisfeito.

Foi apenas em 2001 que estudantes de direito da universidade de Duke e um professor chamado Jamie T. Lau, na região de Durham na Carolina do Norte, trouxeram à tona uma lei criada em 1996 que exigisse registros de crimes anteriores aos anos 90 para análise. Isso exigia que as delegacias permitissem que certos dados pudessem ser analisados pelos estudantes. Assim, o caso de Charles foi reconhecido e reanalisado.

Apenas em 2013 foi confirmado que havia muitas infrações e injustiças antes e durante o julgamento de Charles. Novas análises foram feitas e se iniciou um movimento para a libertação do homem inocente. Até então ele havia estado preso por 37 anos.

As infrações consistiam em: a testemunha havia sido influenciada por imagens e forjas nas provas a direcionar sua atenção a Charles durante o julgamento; o legista que havia feito a autópsia do corpo havia escrito errado que ele tinha morrido por uma espingarda (shotgun), sendo que a morte havia sido por uma pistola (gunshot), impossibilitando uma semelhança entre as balas; e a existência dos álibis havia sido apagada dos registros.

Novamente em julgamento, os estudantes questionaram o xerife Owens pelo ocorrido e ele testificou que não havia forjado nenhuma evidência e que, na hora de apresentar Charles para a testemunha fazendo a fila de suspeitos, tinha trocado as roupas de todos para que Lester pudesse reconhecer o assassino. Entretanto, foi provado em fotos que apenas Charles tinha sido instruído a usar o casaco comprido que o incriminaria.

Durante anos as provas da inocência de Charles foram aparecendo, porém todas foram, uma a uma, rejeitadas pela justiça como algo que pudesse trazer a liberdade a ele. Fora apenas em 2019 que tudo começou a mudar.

Em maio de 2019, o juiz Terrence Boyle aprovou a petição de Charles Finch de reabertura de caso e reanálise perante a justiça. Com a nova análise, o juiz exigiu que soltassem Charles da prisão. Após 43 anos, finalmente a liberdade estava a seu alcance!

Charles Ray Finch saiu da prisão com 81 anos e em uma cadeira de rodas, devido a um infarto que havia tido durante seus 43 anos de prisão. Ainda assim, suas palavras foram de felicidade: “Estou muito grato por estar livre. Me sinto bem”. Foi acompanhado por sua esposa e filhos e hoje comemora seu primeiro ano em liberdade.

Isabela Costa

Sou Isabela Costa, editora de conteúdo no Pausa do Café. Escrevo sobre cinema, culinária, saúde, entretenimento e viagens, sempre com o objetivo de transformar temas variados em informações acessíveis e interessantes. Com formação em Jornalismo e mais de 8 anos de experiência em conteúdo digital, adoro explorar curiosidades e oferecer dicas úteis para o dia a dia. Meu objetivo é proporcionar aos leitores uma leitura leve e divertida, ao mesmo tempo que trago conteúdo relevante e confiável.

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